Datas confirmadas “O Marinheiro”

O T.A.L apresenta datas para a peça “O Marinheiro” da autoria de Fernando Pessoa, inseridas no Festival de Teatro “Cenários”

14 de Março / 21:30h – Galeria de arte Praça do Mar

27 de Março / 21:30h – Casa do Povo de Querença (Dia Mundial do Teatro)

30 de Março / 21:30h – Convento de Santo António de Loulé

Encenação: José Teiga

Sinopse: “O Marinheiro”– também tem sido nosso o receio provinciano da representação de O Marinheiro, esse drama estático em um quadro, essa “ pecinha” outrora sem importância para Gaspar Simões esse “ exercício intelectual que consegue mostrar com palavras o equivalente do silêncio, “como, por muito tempo foi considerado até por Roberto Bréchon que tanto amou a obra de Pessoa… Também nós, ao longo da vida sempre deslumbrados com esse teatro de um “ eu sem acção” " teatro de almas”, ainda tememos que a nossa teimosia de actores não seja capaz de seduzir o público com um texto que em nada se parece com a produção portuguesa, e que por isso não foi e não é facilmente compreendido na sua originalidade, no seu hermetismo.
         E contudo, é esta obra-prima, escrita em dois dias de 1913, que Fernando Pessoa escolhe para aparecer em seu nome no primeiro número do “Orffeu”…
Trata-se de uma obra acabada, perfeita, estilisticamente inesperada e muito bela. Uma obra que mesmo Bréchon avalia, depois como profunda percebendo nela as vozes que comparecerão no poeta, e ajudando-nos a visitá-la. Visitemo-la.
Na sala da torre de um velho castelo junto ao mar, três raparigas velam o corpo morto de uma jovem, no momento anterior ao nascer do dia. As jovens falam, aparentemente sem nada dizer. Há longas pausas e suspiros marcados por reticências.
As veladoras (que velam as horas que passam) falam “ como que para esconjurar o risco de viver”. Contam histórias diante de um caixão, para passar o tempo, para afastar aquela “ presença da ausência ou ausência da presença” não distinguindo o ideal do real.
Uma das veladoras conta o sonho que teve de um marinheiro naufragado numa ilha distante que sonha com uma pátria, que vai construindo a pouco e pouco em imaginação, que se lhe afigura mais verdadeira do que a terra em que nasceu e que já esqueceu. Mas quando a veladora tenta compreender e exprimir o significado do seu sonho, hesita, cheia de medo, como se houvesse um limita que lhe não é permitido ultrapassar. “ Procuramos sentido e tudo é obscuro, não encontramos a chave para abrir…”
A partir daqui as veladoras “ resignam-se a continuar a sonhar sem nada saber”. Limitam-se a falar para destruir o medo que sentem. É necessário falar porque o silêncio as arrasta para um estado semelhante ao da morta.
O tempo do sonho avantaja-se: estamos dormindo e a vida é um sonho ou somo apenas o sonho de alguém? Quem sonha e quem é sonhado? Sonhamos alguém que apenas sonha? O próprio sonho acabará por ser posto em causa como motor da felicidade e é realçada a incapacidade da palavra para criar a sua próprio verdade.
As veladoras sabem que as suas palavras criaram mundos impossíveis que desaparecerão quando o sol raiar. Mas as palavras preencheram o abismo entre o momento morto, inútil e o dia real, como para lhe dar sentido. Autonomamente criam a sua realidade, a sua própria ordem e estabelecem a ligação entre os seres e o mundo. Através da palavra, o homem manifesta-se e revela os seus projectos. A lucidez das irmãs é saberem que há uma separação entre a intenção e o dizer, que a palavra se torna inútil para exprimir as coisas e os factos, no alerta de …Isa Guerra.
No final, “ Um galo canta. A luz como que subitamente aumenta. As três veladoras quedam-se silenciosas e sem olharem umas para as outras. Não muito longe, por uma estrada, um vago carro geme e chia”. “ Sons vindos de um mundo real, que é como um além aqui em baixo”.
 

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