Conversas no Parque

 

Sem conferencistas, com as ideias e as palavras de cada um, convivemos e reflectimos sobre os temas que mais nos possam interessar.

Este é o desafio, ou o convite como queiram, que a Casa da Cultura de Loulé lança a todos, para que o espaço da CCL no Parque Municipal seja transformado num lugar de encontro de ideias, de pensamentos, de dúvidas, de conhecimento, de convivio...

Em cada noite trataremos um tema. Tema esse definido na sessão anterior. Exceptua-se naturalmente a primeira noite, em que nos centraremos a propósito, nos espaços de partilha e de encontro. Como tem evoluido, as suas vantagens e desvantagens e ou, da forma de os conciliar e dosear: "Das noitadas à conversa, ao tempo todo no face-book".

Conversas no parque é um espaço de tertúlia que ocorre no bar da Casa da Cultura de Loulé à 1ª e 3ª Terça Feira de cada mês, pelas 21.30h.

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Síntese da conversa - UM PARQUE PARA TODOS !!!

 

O Parque Municipal não é o resultado de um projecto, num tempo preciso. É fruto de uma sucessão de vontades e de limitações que foram "colando" intervenções num território mais ou menos disponível.
Uma cronologia, ainda que sumária, dá-nos conta da sua evolução ao longo das décadas. O nosso Parque é jovem, ainda não atingiu um século.

1946/48 – Eram realizadas grandes feiras populares na Quinta do Pombal.
25 Fevereiro 1946 – Compra da propriedade do Pombal pelo município, a fim de instalar o Parque Infantil e o Parque Municipal da Vila de Loulé.
3 Junho 1952 – Art.º Ignácio Peres Fernandes envia o ante-plano de construção do Parque da Vila.
23 Dezembro 1952 – Arrendamento da casa existente na Quinta do Pombal, ao fiscal dos Serviços de Urbanização junto do Monumento Duarte Pacheco, durante o período das respetivas obras.
1 Março 1953 – início da 1ªfase da plantação de árvores no Parque da Vila.
Dezembro 1954 – O Sr. Ministro das Obras Públicas concede uma comparticipação do estado para a construção de ruas e canalização de esgotos a realizar no Parque Municipal.  É prevista a expropriação dos terrenos que faltam para se completar a área constante do projeto.
Março 1955 – Concurso público para arrematação da obra de “construção do Parque Municipal – 1ª Fase.”
1 Novembro 1955 – O Sr. Ministro das Obras Públicas autorizou a comparticipação do estado para execução da 2ª fase da obra “Construção do Parque Municipal”.
9  Fevereiro 1956 – É Adjudicada a 2ªfase da construção do Parque Municipal de Loulé.
Novembro 1956 – Enquanto  prosseguem os trabalhos da 2º fase, surge a proposta para na 3ª fase incluir-se um campo de jogos para futebol e outros desportos.
Novembro 1959 – Ainda sem o projeto de Estádio Municipal a Câmara dá prioridade a outras obras. Manda elaborar o projeto do Parque Infantil e proceder ao ajardinamento de algumas zonas.
17 Novembro 1960 – Pelo  Vereador do Pelouro dos Jardins foi solicitado que se providenciasse, para dar seguimento aos trabalhos de construção do parque, a elaboração de um plano que servisse de orientação dos mesmos.
2 Junho 1961 – O Arq.º Ignácio Peres Fernandes envia o anteprojeto do Parque Municipal.
Novembro 1964 – Estão em curso as negociações com os proprietários de terrenos anexos ao Parque Municipal cujo destino seria à construção do estádio Municipal de forma a deixar vaga a área até a altura prevista para a sua implantação para  a localização  da Escola Técnica de Loulé.
1966 – O Parque está abandonado, sem Estádio nem Escola, e não existe previsões para iniciar qualquer dessas importantes e necessárias obras.
16 Janeiro 1973 – Escritura da Sociedade por ações que pretende construir uma piscina no parque Municipal.
1982 – O Parque encontra-se num estado lastimável de conservação o que origina um baixo índice de utilização, devido  à insegurança e o estado selvagem e mundo em parte originado pela falta de iluminação.  No mesmo ano é comunicado  que “Loulé terá finalmente a sua piscina”.
Outubro de 1985 –  Está em elaboração um projeto de ordenamento do Parque Municipal, para torna-lo mais agradável para o lazer e a prática desportiva, para tal será recuperado o circuito de manutenção e introduzidas algumas modificações que se enquadram com as necessidades de prática desportiva. O Parque Municipal foi o local escolhido para prestar homenagem ao grande poeta popular António Aleixo. O orçamento da Câmara disponibiliza verba para arrancar com as obras.
3 Julho 1986 – Inauguração do Complexo das Piscinas Municipais descobertas.
16 Novembro 1989 – Inauguração do anfiteatro e do monumento de homenagem ao poeta António Aleixo no Parque Municipal.
1993 – Inauguração do Complexo das Piscinas Municipais cobertas.
1996 – Ano em que foi colocado no Parque Municipal o monumento “AraVitae” sem inauguração oficial.
Maio 1997 – Abertura de novos campos de ténis no Parque Municipal.
2010 – Obras de remodelação do Parque Municipal
1 Fevereiro 2012 – Inauguração das obras de remodelação do Parque  Municipal com a  adaptação da antiga Casa do Pombal a um espaço cultural que engloba a Casa da Cultura de Loulé e o CECAL – Centro de Experimentação e Criação Artística de Loulé e com a implantação de outros equipamentos de lazer e de prática desportiva como: o parque infantil renovado, o minigolfe, o Net Mountain Galaxi (grande pirâmide de corda para escalada e diversão em grupo), o circuito de manutenção remodelado com um percurso de marcha com cerca de 800m e um conjunto de máquinas de exterior.

Fonte Bibliográfica :
Gonçalves, Ana Patrícia Correia; “Espaços verdes de Loulé – Uma Abordagem  Histórica” , Trabalho de Estágio Curricular do 4ª ano da licenciatura em gestão Ambiental do Instituto Superior Dom Afonso III – INUAF; 2005

Sintetizamos seguidamente, o diagnóstico e as proposta resultantes da nossa conversa, porque é a conversar que agente se entende e uma dúzia de cabeças  pensam, melhor do que uma:
O Parque é parte da cidade e deve ser um dos seus cartões de visita. Mas há erros a corrigir e uma dinâmica a imprimir. 
Foram, enumeradas insuficiências na sinalética direccional e promocional. Quem não é de Loulé dificilmente conseguirá saber da existência do parque e de como lá chegar. Sendo relevante direccionar os seus potenciais utilizadores para um estacionamento privilegiado, não pago.
A conversa, para a qual todos os presentes contribuíram, fruto da diversidade das suas experiências e áreas de competência, alertaram ainda para custos de manutenção associados a opções e ou erros de construção que importa minimizarem: sistema de rega em alguns casos inadequado (aspersão quando devia ser gota a gota) e problemas de drenagem, que provocam encharcamentos e maior consumo de água, em algumas manchas de área verde e sua consequente degradação .Também a iluminação deverá ser corrigida de forma a permitir a redução da luminosidade a partir de determinada hora, poupando nos custos com o consumo de energia.
As ultimas obras realizadas no Parque permitiram reabilitar o espaço parcialmente degradado, nomeadamente o edifício onde hoje está instalada a Casa da Cultura e o CECAL. Mas a solução de aproveitamento do edifício, não foi a melhor, não foi debatida como seria fundamental com os seus utilizadores. Agora o que é preciso é pensar a funcionalidade do que existe, de forma integrada.
No entanto existe alguma desilusão por parte de quem tinha a expectativa de encontrar no parque uma maior diversidade de actividades, um espaço de estada com cafés e bares de apoio
É fundamental encontrar soluções que permitam a abertura dos equipamentos de apoio no Anfiteatro António Aleixo e no edifício onde se encontra instalada a Casa da Cultura e o CECAL, como complemento e apoio a actividades. O Parque não pode ser apenas um ginásio ao ar livre.
O Anfiteatro António Aleixo é um recurso que não está suficientemente aproveitado, apesar das suas limitações técnicas, seria relevante o seu uso para fins culturais contribuindo para dignificar a ilustre figura que pretende homenagear.
Actualmente, de manhã e ao fim do dia, o Parque é frequentado por muita gente para a prática de exercício físico. Esta zona da cidade, integrando os complexos de piscinas, de ténis, jogos tradicionais, ligando-a ao Pavilhão Desportivo, mas também a um conjunto estruturado de trilhos e circuitos para uso pedonal e de BTT utilizando caminhos na envolvente próxima (cerro de Santa Luzia) pode vir a ser um centro de excelência para a actividade desportiva.
Os trilhos pedonais poderão, se pensados para esse efeito, minimizar os erros técnicos da construção - a cimentação dos trilho existentes no Parque -  um piso desadequado para o treino, seja ele de manutenção ou  de competição. Considerou-se ainda que, se na prática, se começarem a definir trilhos pedonais atravessando a mancha relvada, eles deverão posteriormente ser assumidos como pistas, introduzindo uma correcção a um erro do projecto, sendo aliás esta uma metodologia assumida por alguns projectistas, deixando aos utilizadores a possibilidade de marcarem no terreno aquilo que é a expressão natural da utilização dos espaços.
Neste contexto, diversos espaços do Parque podem servir de acolhimento para as mais diversas entidades realizarem iniciativas abertas, de promoção de múltiplas modalidades, de forma mais visível.
Concertos e iniciativas com" bandas de garagem"; mostras e feiras (do livro, velharias, e outras) ainda que com entidades locais/regionais e com estruturas simples; mostras de artes plásticas (efémeras, moderna, de rua...), campos de artes; cinema ao ar livre no verão, fotografia…
Considerou-se ainda que seria interessante criar um espaço wireless livre, que permita o acesso á net no espaço exterior envolvente à CCL/CECAL, privilegiando o uso daquela zona por estudantes e outros utilizadores.
O Parque deveria ter uma programação, promovida globalmente, como acontece com outros equipamentos, tendo-se considerado importante que as entidades ali sedeadas (Casa da Cultura, Clube de Rugby, Clube de Ténis, Escola Secundária, CECAL...) reunissem entre si para eventual articulação de actividades e recursos.
É necessária uma estratégia para o Parque, com uma programação diversificado de eventos que incorpore actividades de quem ali está sedeado, mas também de outras entidades que utilizem o Parque como um recurso para promover e realizar actividades. Os equipamentos da envolvente estão de costas viradas para o Parque, não há uma porta que os ligue - Escola Secundária e Piscinas -  e hoje não há razões para isso. Essa é uma relação que tem que ser repensada.
O parque pode e deve ser um espaço de pedagogia para realização de actividades de ar livre com as crianças.
Há quem se lembre do Parque como um espaço de encontro, onde se faziam piqueniques, festas de aniversário...
Uma velha aspiração dos jovens continua no entanto  em falta: o espaço de para skate. E essa falta , leva a que sejam utilizados para esse tipo de actividade outros espaços e equipamentos não adequados que se vão degradando
Ao longo dos anos de altos e baixos na sua utilização, tem acolhido iniciativas de diversa natureza: desportivas, culturais, recreativas...O Parque tem um enorme potencial. Esta conversa deixa-nos reptos que nos desafiam !!!
16 de Outubro de 2012

Síntese da conversa "Falar face - a- face"

 

O tempo presente faculta-nos formas de comunicar com o outro ainda há pouco enexistentes.
Mas elas não subtituem as formas de relacionamento do passado, são complementares.

As novas tecnologias podem ser um meio de divulgação, de aproximação, de partilha e de encontro. O SEXTAS Á SOLTA é um exemplo dessa utilização, na divulgação, mas também servindo para medir a receptividade do que se cria, do que se produz, junto de um público mais lato. O s movimentos sociais, convocando iniciativas através do face e de outras redes, são outro exemplo de utilização e do poder destas novas ferramentas de comunicação.

Os perigos de exposição da intimidade que tantas vezes nos assustam quando vemos a interconectividade das ligações, podem ser minimizados através do dominio das ferramentas que as redes colocam ao dispor dos utilizadores. Há no entanto quem entre nas redes sociais sem o dominio das ferramentas de proteção e se surpreenda. Assim como há quem goste e aposte nessa mesma exposição.

Hoje tudo está disponivel nas teclas de um computador, mas não será certamente por isso que as pessoas deixaram de ser participativas, que se isolam, que não convivem. As redes sociais podem facilitar a aproximação, o encontro, encurtar distancias, facilitar procuras...

É certo que comparativamente, a conversa presencial requer um esforço acrescido. Levantar da cadeira ou do sofá, do quente ou do fresco, para ir ter com o outro ou os outros ...mas o que isso nos propicia na riqueza acrescida pelas outras formas de comunicação que envolvem as palavras... As expressões, os olhares...Mas o face e os novos instrumentos de comunicação também servem para nos convidar e convocar para o presencial. São afinal complementos que se articulam no nosso quotidiano.

O face mudou o conceito de amigo.

Os amigos do face são-no por conveniencia, muitas vezes são pessoas que nunca vimos, mas com quem partilhamos conversas, informações, conhecimentos... podem ser muitos, estar nos lugares mais dispares, permitir-nos aceder ao que de outra forma nunca seria do nosso conhecimento...estão mais acessiveis ainda que distantes... Mas não lhes podemos tocar, partilhar com eles os sabores de um petisco, beber uma cerveja, fazer uma caminhada,... os amigos do face não são os amigos do coração, da solidariedade, da intimidade transparente e verdadeira, são uma banalização do conceito de amigo

Esta nova forma de nos interrelacionar-mos influencia os nossos comportamentos e atitudes.
Mas esta evolução com aspectos negativos e positivos, opera-se num contexto social e educativo, todo ele em mutação.

Os valores podemos construi-los ou destrui-los fora e dentro das redes sociais, o que temos é que saber dosear o seu uso, com equilibrio e com conhecimento das potencialidades e riscos dos recursos ao nosso dispôr.

Casa da Cultura de Loulé - Parque Municipal - 02-10-2012

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